quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Jejum e oração durante o tempo quaresmal

Intuição pedagógica-espiritual acentuada nas atitudes do corpo e do espírito

A mulher pega em adultério (HI-QI Gallery, adquirida da internet)

Eurivaldo Silva Ferreira[1]           
            A Igreja nunca deixou de recomendar aos fiéis algumas práticas específicas dos tempos litúrgicos, pois, “segundo as instituições tradicionais, ela [a Igreja] aperfeiçoa a formação dos fiéis por piedosos exercícios da alma e do corpo, pela instrução, pela oração e pelas obras de penitência e misericórdia” (Sacrosanctum Concilium, 105). A reforma conciliar considerou que o próprio “Ano Litúrgico, principalmente pelo mistério pascal, alimenta devidamente a piedade dos fiéis” (SC, 107), conforme estes vão participando das celebrações ao longo de seu percurso.
            Dentre essas ‘práticas específicas’ e ‘obras de penitência e misericórdia’ citadas pelo Concílio Vaticano II, queremos dar destaque àquelas que aparecem no tempo da Quaresma, entendidas como: o jejum, a oração e a caridade. Encontramos na riqueza da Tradição da Igreja uma diversidade de recomendação quanto a essas práticas quaresmais, sobretudo vividas em continuidade com a prática das comunidades de Israel. Diz o nº 14 da PCFP:
A virtude e a prática da penitência permanecem partes necessárias da preparação pascal: da conversão do coração deve brotar a prática externa da penitência, quer para os cristãos individualmente quer para a comunidade inteira; prática penitencial que, embora adaptada às circunstâncias e condições próprias do nosso tempo, deve, porém, estar sempre impregnada do espírito evangélico de penitência e orientada para o bem dos irmãos.

            A recomendação do jejum, tomada da tradição bíblica, é uma atitude de despojamento que agrada a Deus, e que ao mesmo tempo nos aproxima dele. No século II, Barnabé, um doutor da escola de Alexandria, recomendava o jejum tal qual estava prescrito em Is 58,4-5. 6.10[2]. Na Didascália dos Apóstolos, há uma recomendação para que se faça jejum durante a Páscoa tal qual aquele recomendado ao povo judeu[3]. Orígenes, no século III, falava de uma outra forma de jejuar, como a que não sendo pela abstinência de alimentos[4]:
Queres que te mostre ainda o jejum que deves praticar? Jejua de todo o pecado, não tomes nenhum alimento de malícia, não aceites nenhum prato de volúpia, não te esquentes com nenhum vinho de luxúria. Faz jejum de ações más, abstém-te de palavras maldosas, guarda-te de pensamentos perversos... Um jejum deste gênero agrada a Deus...

            Santo Agostinho diz não ter encontrado nos escritos evangélicos e apostólicos nenhum preceito claro que mande guardar o jejum em dias determinados, por isso vai se aconselhar com Santo Ambrósio, que colocou o jejum como um dado cultural, ou seja, dependendo do lugar que estivesse, jejuava[5].
            Para Pedro Crisólogo, Pai da Igreja do século V, o jejum deve ser regado pela misericórdia, que é consequência do mesmo jejum. Assim, para os primeiros cristãos, tornar-se solidários aos outros era uma atitude de se tornar misericordioso ao outro, pois privar-se de algo para alimentar a outros é um sacrifício agradável a Deus (cf. Is, 58). Assim, os alimentos não consumidos no jejum destinavam-se à esmola e à caridade a quem mais necessitava.
            Sobre isso, São Leão Magno, papa e doutor da Igreja, fala de um agente externo que quer nos impelir a pecar, fazendo-nos esquecer da fonte do perdão: as tentações, dentre elas aquelas de já nos considerarmos perfeitos. O próprio mistério pascal, celebrado e vivido com mais intensidade por ocasião do tríduo pascal é a meta. Por isso também recomenda que ‘entremos na Quaresma com uma fidelidade maior ao serviço do Senhor’, nesse sentido, o jejum e a caridade são sinais externos para se vencer o mal, que cada vez mais quer se sobressair em nós[6].
            O modo de entendermos o jejum neste itinerário pascal nos remete a uma atitude espiritual: torna-se um caminho da graça, isto é, crescemos na intimidade com o Senhor, ao mesmo tempo em que movemos nossos afetos, reconfigurando-os aos afetos do Senhor, como uma obra de transformação, que também se desdobra em atenção ao outro, ao próximo. O alimento que se deixa de comer, a atitude que se deixa de tomar, deve ser tornado em benefício do próximo.
            O espírito deste tempo nos devota a nos empenharmos num grande desejo de transformação pessoal, tanto pelas atitudes internas e individuais (espirituais) quanto externas e sociais (cf. SC, 110). Esses gestos ganham sentido quando são significados em nosso corpo.
            O jejum se coloca então como um gesto simbólico, revestido de uma concepção externa, mas que atinge seu objetivo na interioridade: o corpo, sacrificando-se, possa com mais intensidade esperar pela páscoa. É apenas um sinal visível para despertar em nosso corpo a alegria de festejar a páscoa, que é a festa dos dons em abundância. O jejum também pode ser visto como uma ação de ir ao encontro dos outros, configurando o coração a Deus. Há tantos necessitados de uma palavra de apoio e de conforto espiritual e social.
            Recomendados também como exercícios da alma e do corpo são a oração e a caridade (cf. SC, 105). A oração, porque é um dos pilares da fé. Principalmente a oração em comunidade pode ser colocada em relevo neste tempo. A caridade, traduzida pela esmola, nos recorda que principalmente que a fé sem obras é morta. No ato da caridade todos podem também usufruir das alegrias pascais que é desejo de Deus, portanto ninguém se prive do desejo de Deus e dos dons pascais. Assim, a penitência, como esforço permanente e concreto, numa espécie de crescimento interno[7], conforme a atitude dos primeiros cristãos, é re-significada nas atitudes do corpo, que ouve a Palavra, que ora e que faz um esforço constante de abster de algo, em contínua preparação para o mundo novo que há de vir.
            Estes gestos e sinais vêm carregados de uma finalidade à qual nos faz conduzir o olhar para o dinamismo pascal e sua espiritualidade, os quais se faz mediante a graça, que nos modela e nos torna à estatura do próprio Cristo. Neste crescimento, que também podemos chamar de ascese[8], encontramos todo esforço para deixar paixões desenfreadas e mantermo-nos na sobriedade e no equilíbrio. São recomendações da Igreja para este tempo, sobretudo lembradas nas orações de Coleta dos domingos da Quaresma.
            Os espaços litúrgicos também são caracterizados deste recolhimento quaresmal, de modo que a visualização destes possa inspirar os fiéis no caminho da simplicidade e do despojamento. Por isso, a recomendação de se abdicar das flores nos presbitérios, do instrumento musical apenas como suporte apoiador dos cantores, da ausência do Glória e do Aleluia, que são elementos característicos de solenidades e festas. Além disso, o criterioso repertório de cantos rituais do tempo quaresmal seja escolhido tendo em vista sua proximidade aos textos litúrgicos (cf. PCFP, 17-19). Percebe-se o intuito pedagógico desta recomendação: a Igreja, templo e espaço da profissão de fé, que caminha austera no tempo quaresmal, também é da mesma forma convidada a fazer seu retiro espiritual.




[1] Mestre em Teologia pela PUC/SP, com concentração em Liturgia. Especialista em Liturgia, pelo IFITEG-GO. Formado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC/SP. Membro da Rede Celebra de Animação Litúrgica e do Corpo Eclesial de Compositores da CNBB. É Assessor da Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB.
[2] Antologia litúrgica, p. 118.
[3] Antologia litúrgica, p. 249.
[4] Antologia litúrgica, p. 256.
[5] Agostinho e Ambrósio encontravam-se em Milão, que mantinha o costume de não jejuar no sábado, enquanto que em Roma, o costume de jejuar no sábado era previsto (cf. Antologia litúrgica, p. 818).
[6] São Leão Magno, papa. Sermões sobre as coletas, a quaresma e o jejum de pentecostes. Petrópolis: Vozes, 1977.
[7] A Carta Preparatória para as Festas Pascais, de janeiro de 1988 explicita melhor o sentido da virtude e a prática da penitência, como “partes necessárias da preparação pascal: da conversão do coração deve brotar a prática externa da penitência, quer para os cristãos individualmente, quer para a comunidade inteira; prática penitencial que, embora adaptada às circunstâncias e condições próprias do nosso tempo, deve, porém, estar sempre impregnada do espírito evangélico de penitência e orientada para o bem dos irmãos e irmãs”.
[8] Ascese: é um termo teológico o qual designa o esforço que todo cristão faz, aberto à graça de Deus, para deixar que esta mesma graça atue em sua vida. Não é voluntarismo, sobretudo é a partir de nossa limitação que nos abrimos à graça. É uma atitude de querer vencer. É como o cego que encontra com Jesus e diz: ‘Senhor, eu quero ver’.

A Quaresma como itinerário pascal

Eurivaldo Silva Ferreira[1]
Orando no Getsemani (HI-QI Gallery, adquirida da internet)

Ano Litúrgico: itinerário pedagógico da fé
Diz a Lumen gentium que uma das preocupações da Igreja é fazer com que seus fiéis se aproximem da graça salvadora de Cristo (LG, 1-8). Os fiéis fazem isso toda semana, no domingo, justamente denominado Dia do Senhor, celebrando a ressurreição de Cristo, também de maneira mais especial no período do Tríduo Pascal. Logo, quem participa das ações litúrgicas, entra em contato com a riqueza das virtudes e méritos de Jesus Cristo, por isso o mistério de Cristo anunciado e vivido ao longo de um ano, através da liturgia celebrada, possibilita a quem crê a plenitude da graça da salvação.
Toda ação de Cristo operando em prol de sua comunidade de fé, orante e reunida em assembleia, ocasião em que esta toma contato com a pregação, a vivência e o anúncio do Reino de Deus feito por Jesus, é um itinerário pedagógico, o qual chamamos de Ano Litúrgico.
O Ano Litúrgico, vivido como sinal sacramental da atuação do Cristo que se mostra com toda a sua força atuante, alimenta a piedade dos fiéis. Ele possui força sacramental, segundo o dizer do papa Paulo VI. É em torno desse mistério da nossa fé que também aguardamos a feliz vinda do Cristo, no reino futuro. Enquanto ele não vem, nós o aguardamos nas nossas ações do cotidiano e também celebrando o mistério pascal nas nossas liturgias. Portanto, podemos dizer que no Ano Litúrgico vivemos o sacramento da espera, unindo nosso cotidiano na oferta do próprio Cristo, até que um dia, por Cristo, com Cristo e em Cristo, Deus venha a ser tudo em todos.
Nesse sentido, os ritos contemplados na ação litúrgica nos dão a possibilidade de vivermos o Mistério Pascal, não como estranhos ou simples expectadores, mas como participantes conscientes, piedosos e ativos. É esta a natureza frutificadora da ação litúrgica. Ela tem a preocupação de colocar o ser humano em relação com o Mistério Pascal: morte e ressurreição de Cristo em quase todas as ocasiões da vida, pois, do mistério pascal derivam a graça e força pelas quais se santificam os fiéis bem dispostos, diz a Sacrosanctum Concilium.
Mas não basta apenas isso. Para que a liturgia exerça realmente sua força de contato com o Mistério Pascal, é necessário que todos os que desejam manifestar o louvor a Deus e também se santificar, tenham possibilidade de participar ativa, plena, frutuosa e conscientemente.
A ação litúrgica é tornar célebre um acontecimento, perpetuando-o
Sempre que recordamos um acontecimento, nós o fazemos através de lembranças deste mesmo acontecimento. Por isso a celebração, que deriva da palavra ‘célebre’, é o meio eficaz para fazermos isso. Tudo feito por meio das ações simbólico-sacramentais, isto é, celebramos com ritos, preces, símbolos e ações gestuais, para fazer memória do evento Mistério Pascal de Cristo, o acontecimento mais importante do cristianismo.
Todo domingo, na celebração eucarística, por força dos ritos e das preces, das orações e das louvações, nós tornamos célebres aqueles gestos de Jesus realizados na última ceia: sua entrega pascal, realizada de forma ritual na noite da Quinta-feira Santa e na forma de sua entrega sacrificial, seu corpo crucificado e morto na Sexta-feira da Paixão, além de contemplarmos o vazio no Sábado da Sepultura e comemorarmos a ressurreição, na madrugada do Domingo da Ressurreição. Repetindo os ritos, com consciência do que estamos fazendo, aprofundamos seu sentido, ou seja, aquilo que eles mesmos expressam, a nossa fé. Desta forma, a liturgia cristã, na qual fazemos memória pascal, passa por esse prisma, ela mesma representa esses fatos, de uma forma ritual, e, revivendo-os, através da ação simbólico-ritual, nós a tornamos viva e a qualificamos de forma perene.
A força pedagógica do período Quaresmal
O Ano Litúrgico nos oferece o tempo da Quaresma como uma oportunidade de fazer memória do nosso batismo, ocasião em que nós recordamos aquela graça, pela qual fomos inseridos um dia, mergulhando na água do Espírito, renascendo para uma vida nova.
Por sua força sacramental, o tempo quaresmal nos coloca em prontidão para a escuta da Palavra e a oração, elementos essenciais que devem ser vividos também ao longo de todo Ano Litúrgico, mas que a Igreja chama para uma atenção particular e mais atenta neste tempo. Então, a ação memorial do batismo, nós a realizamos escutando a Palavra, orando em comunidade e celebrando na mesa comum a memória pascal do próprio Cristo.
Nas comunidades primitivas era também ocasião em que os catecúmenos, aqueles que eram iniciados na fé, podiam ser preparados para receber o sacramento do batismo, um dos que fazem parte dos chamados ‘sacramentos da iniciação à vida cristã’. No período quaresmal, os catecúmenos viviam o tempo chamado de ‘purificação’ e ‘iluminação’, o que os consagrava a preparar-se mais intensamente o espírito e o coração, examinando suas consciências e com atitudes penitenciais para a vivência sacramental.
Na Quaresma, os fiéis já batizados, assim como os catecúmenos, se dispõem para a celebração do mistério pascal, a cada domingo, ao mesmo tempo, visualizando e tendo como meta a grande celebração do Tríduo Pascal.
O sentido próprio de cada celebração, se bem vivido, nos proporciona uma real adesão à fé, fazendo com que apreendamos aquilo que é essencial na Igreja, com sua força pedagógica. Cada gesto, cada ação ritual, comporta um sentido teológico, no qual deve ser aprofundado com conhecimento de causa, mediante a qualidade com que se é realizada e celebrada, até provocar no celebrante (todos nós somos os agentes da celebração, por isso somos todos celebrantes) uma atitude interior e espiritual, abrindo-se para o compromisso com a vida.
O sentido do itinerário pedagógico para a nossa vida
Se o itinerário pedagógico da fé pode ser vivido no tempo quaresmal, que, com seu sentido próprio, ao longo do Ano Litúrgico, que, por força dos ritos e das ações simbólico-sacramentais, exige que seja contemplado com uma atitude interior e espiritual, a Quaresma traz em seu bojo duas características que podem nos ajudar a bem vivermos esse tempo: o desejo de conversão e de mudança de vida, e a penitência, elementos principais contidos nas leituras bíblicas e no conjunto da ação litúrgica deste tempo.
Da consciência de nossa incapacidade de vivermos o projeto do Reino surge o desejo da conversão e da mudança interior, por isso um sinal externo nos é apontado como que sendo uma força que impulsiona a direção da mudança.
Na comunidade primitiva a conversão era como um estado penitencial em que aqueles que estivessem aptos para o batismo se comprometiam a refletir sobre a consciência do pecado, tido como ofensa a Deus. Daí nascia o compromisso de não mais pecar, vivido por um estado de contínua conversão. De fato, a penitência só tem sentido se praticarmos as boas obras, tendo em vista o bem maior, seja para mim, seja em função do próximo.
A Carta Preparatória para as Festas Pascais, de janeiro de 1988, explicita melhor o sentido da virtude e a prática da penitência, como “partes necessárias da preparação pascal: da conversão do coração deve brotar a prática externa da penitência, quer para os cristãos individualmente, quer para a comunidade inteira; prática penitencial que, embora adaptada às circunstâncias e condições próprias do nosso tempo, deve, porém, estar sempre impregnada do espírito evangélico de penitência e orientada para o bem dos irmãos e irmãs”.
A Igreja, da mesma forma que convoca cada um e cada uma a fazer penitência, ela mesma se coloca nesta ação, rezando e intercedendo por aqueles que ainda não aderiram a este processo de conversão, também convocando os seus para aderirem a essa prática e ao retorno ao sacramento do perdão.
Segundo a Encíclica Dives in Misericórdia (Rico em Misericórdia), de São João Paulo II, a Igreja também anuncia que Deus é todo misericordioso, e, aconselhando a consciência, baseando-se na Escritura, aponta sinais de melhorias, ou seja, o ser humano não é capaz de se salvar a si por sua própria capacidade, por isso ele precisa contar com Deus. A Igreja vê e dá testemunho da misericórdia de Deus, pelo Cristo anunciado no Evangelho ela encoraja o ser humano e o introduz no seio da misericórdia de Deus, professando-a em toda a sua verdade, apoiada na Revelação. Deus penetra no íntimo do coração do homem e da mulher para transformá-lo/a, assim como fez com o filho pródigo.
Tempo de caridade mais intensa e de renúncia dos desejos
Outro aspecto do tempo quaresmal é visibilizado pelo jejum e pela caridade, sinais externos mais recomendados pela Igreja, sobretudo se vividos por um período anterior de oração e por um período posterior de justiça (sentido de entrega a uma causa).
São Leão Magno, papa e doutor da Igreja do século V, fala de um agente externo que quer nos impulsionar ao pecado, fazendo-nos esquecer da fonte do perdão, o próprio Mistério Pascal, celebrado e vivido com mais intensidade por ocasião do Tríduo Pascal. Por isso também recomenda que ‘entremos na Quaresma com uma fidelidade maior ao serviço do Senhor’, nesse sentido, o jejum e a caridade são sinais externos para se vencer o mal, que cada vez mais quer se sobressair em nós.
No Brasil, a Campanha da Fraternidade, também vivido como um sinal externo de penitência, é um excelente auxilio para bem vivermos a Quaresma, diz a introdução de todos os textos-base.
O Missal Romano diz que a Quaresma é um tempo de teste para nossa fidelidade na resposta ao plano de Deus. Pode acontecer que, depois de ter recebido o batismo, nós percamos essa confiança, por isso esse tempo é propício para renovar e reavivar em nossos corações as disposições que, durante a Vigília Pascal, pronunciaremos de novo com as promessas do nosso batismo. As leituras que ouviremos durante esse tempo nos recordam que somos seres batismais.
Tempo de amar profundamente, raiz da nossa condição batismal
Enfim, viver a Quaresma é saborear o difícil itinerário da passagem da morte para a vida. Sabemos que passamos da morte à vida se amamos os irmãos, diz São João em sua primeira carta (1Jo 3,14).

Sobretudo, devemos lembrar que somos discípulos/as de Jesus, que superou o fracasso humano da cruz com um amor que vence a morte, e que, de nossa parte, o jejum e a caridade, traduzidos na solidariedade fraterna em favor do/a outro/a, do mundo, do planeta e do cosmos, nos colocam nesse mesmo patamar de Jesus, que, intensificando seu desejo de amar até o fim, passou pelo mal, vencendo-o.

Juntemos o nosso desejo ao de Jesus. Assim, como diz a regra de São Bento: “com a alegria do Espírito Santo e cheios do desejo espiritual, esperemos a santa Páscoa”.



[1] Mestre em Teologia pela PUC/SP, com concentração em Liturgia. Especialista em Liturgia, pelo IFITEG-GO. Formado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC/SP. Membro da Rede Celebra de Animação Litúrgica e do Corpo Eclesial de Compositores Litúrgicos da CNBB. É Assessor da Música Litúrgica da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB.